Os Tímidos, os Pais dos Tímidos e a Comunicação

O dia 1 de Abril foi dia para ver, seja com os jovens do Grupo Os Tímidos, seja com os respectivos Pais – sim, porque estes também têm uma sessão de Grupo para Pais 😊– algumas questões que podem estar a bloquear, criar ruído, más compreensões, … na comunicação Pais-Filhos.

Os Pais referem que por vezes sentem que os Filhos comunicam em monólogo. O que pode acontecer porque parte do que querem contar fica apenas nas suas cabeças, o que torna de difícil compreensão o que na realidade pretendem partilhar, por falta de dados ou sequência. Outra forma de monólogo é quando os Filhos dizem que não podem ser interrompidos enquanto contam o que têm para contar. Seja de uma forma ou de outra, os Pais sentem-se: frustrados, irritados, tristes, com raiva, chateados, stressados, aborrecidos…

Com os Pais fiz o exercício de reflectirem numa situação em que tenham procurado explicar algo a alguém – que não os filhos – e que não se tenham sentido entendidos. Foi bom para os Pais que, rapidamente, perceberam o exercício e conseguiram muito facilmente colocar-se no lugar dos Filhos. Tal, acredito, permitirá/facilitará o serem mais empáticos, daqui em diante. Procurámos ainda encontrar estratégias que ajudem os filhos a não se ‘perderem’ no que estão a contar e a identificar a importância de desenvolverem o seu poder de argumentação.

Será importante os Pais estarem também eles próprios atentos à sua forma de comunicar e num clima o mais tranquilo possível, dizerem aos filhos que se encontram com alguma dificuldade, por vezes, em compreendê-los. Que desejam muito ultrapassar este obstáculo e que estão disponíveis para tal, pedindo-lhes também a eles Filhos, essa disponibilidade. Dois exercícios que os próprios Pais deram como estratégias a seguir, a partir daqui são: 1) Sempre que o filho quer contar algo procurarem responder às 5 perguntas: O quê? Onde? Como? Quem? Porquê? 2) Outro treino que podem ir fazendo é, através da leitura de pequenos contos em conjunto, recontá-los um ao outro.

Findo o Grupo com os Pais, entrei num outro Zoom com os Filhos. Mais reflexão sobre a comunicação. Os Filhos referem que quando partilham algo e vêem que não são entendidos se sentem: super-irritados e exaustos. Sim, foram estas as palavras usadas! Gostam de falar com pessoas que entendem o que estão a sentir, que os apoiam e que os fazem rir.

Fiz então um exercício em que deveriam desenhar o que eu descrevia – o desenho que tenho na imagem-, sem que eles pudessem fazer perguntas, nem nunca antes tivessem visto o mesmo. No fim, reflectimos sobre o como se sentiram por não poder interromper para esclarecer dúvidas. Respostas: estranho, confusa, … E, confirmaram que o desenho de cada um não ficou igual ao original. Assim, ficou claro que é fundamental ir interagindo ao longo de uma conversa, de um diálogo. Constataram ainda que o que eu ‘vejo’ não é necessariamente o que o outro ‘vê’ quando eu descrevo.

Por fim, vimos outros aspectos que podem interferir na comunicação como por exemplo, durante a mesma: estar a fazer outras coisas ao mesmo tempo (a olhar para o telemóvel, …), estar a pensar noutras coisas, haver barulho de fundo, a própria pessoa que está a tentar passar a mensagem estar a fazer outras coisas, ter alguma inveja da história que está a ser partilhada, ser uma história triste com a qual se identificam.

O que poderão então fazer para estar mais atentos: olhar nos olhos da outra pessoa, acenar com a cabeça, ir dizendo ‘estou a ouvir-te’, fazer perguntas relacionadas com o que está a ser partilhado, se necessário complementar a frase quando a pessoa interrompe e fica sem saber que palavra usar, procurar falar num ambiente calmo, fazer esforço, se necessário, para se focarem no tema, mesmo que não interesse muito. Todas estas respostas foram dos ‘meus’ Tímidos. Eu, como não poderia deixar de ser 😉, finalizei sugerindo a Caminhada como estratégia que em muito pode contribuir para uma boa conversa.

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