Adoro a adolescência: a minha, a dos meus filhos, a dos amigos dos meus filhos, a dos meus clientes… Enfim, adoro a adolescência! Adoro, acima de tudo, por ser uma fase da vida com tanto potencial. É como se, finalmente, tivéssemos o poder e o privilégio de decidir o nosso caminho. Ainda precisamos dos limites da família, sim, mas a possibilidade de escolhermos o caminho que pretendemos trilhar fascina-me.
Para podermos escolher o nosso percurso, precisamos experimentar muitas coisas novas. E, é nesta experimentação que nos podemos perder, deixar de ter foco e ficarmos apenas a navegar em oceanos e mares desconhecidos, eventualmente até, de forma bastante prazerosa a curto prazo, mas que a médio/longo prazo nos pode conduzir a um vazio imenso, sem conseguir ver no horizonte um farol que nos guie.
Foi tendo tudo isto em linha de conta, que me surgiu a ideia de constituir um Grupo de Partilha para Adolescentes. Tantas outras respostas terão surgido a outros psicólogos ou técnicos interventores junto de adolescentes. A mim, fez sentido a constituição de um Grupo, pela prática que trago já enraizada em mim, de constituição de Grupos e, pela mais-valia que confirmo que estes trazem aos seus participantes. E, também, porque é de adolescentes que estamos a falar, isto é, de pessoas que constroem a sua identidade, o seu foco, precisamente em grupo, no grupo de pares.
Outros dois aspectos que tive em consideração foram: família e confinamento. Que grande desafio estes jovens tiveram que enfrentar! Eles e, as suas famílias, sem dúvida! Contudo, é para eles que se dirige o meu foco, a luz do meu farol. Dois meses de #FiqueEmCasa com a família que corresponderam a dois meses de #SemSairdeCasa com os amigos e namorados(a)!!! Deveras desafiante!! Quantas emoções boas e menos boas terão sido vivenciadas por estes jovens… Falar sobre estas, em Grupo, trazer-lhes alguma normatividade, será importante para baixar alguma tensão que possa estar a ser vivenciada ou para sublinhar algumas conquistas que tenham sido conseguidas.
Por fim, a seguir ao confinamento, vem o desconfinamento que, no caso dos jovens do 11º e 12º anos, significa o regresso às aulas presenciais. O voltar a uma escola, agora muito silenciosa, com medidas de segurança necessárias, mas geradoras de algum stress, com o voltar a ver amigos a quem apetece abraçar e beijar, como dizia a minha colega Sónia Parreira no Psicologia em Reflexão desta semana, mas a quem unicamente podemos olhar nos olhos a uma distância de 2 metros…
Assim, juntando todos estes factores, constituí um Grupo de Partilha para Adolescentes que teve início no dia 15 de Maio, Dia Internacional da Família.
Patrícia Charters, Psicóloga e Terapeuta Familiar