
Poema, porque se encontra em forma de composição poética, porém, talvez, também o possamos considerar uma epopeia, pois tem por assunto acções grandiosas – Amar é exigente! Prosa, porque se pretende como uma conversa informal, descontraída, enfim, uma série de palavras dispostas sem obediência a metro nem a rima, que surgem do sentir espicaçado por este poema épico.
‘Tenho um coração só para si’, tão verdade este verso! Importante ler ‘um’ e não ‘o’ e, aqui, reside uma diferença que me parece fundamental para tantas mães, para tantos filhos. O nosso coração não é por inteiro da nossa mãe, dos nossos filhos. Nele habitam igualmente outras pessoas, outros interesses, outros desejos.
Este coração ‘dança, canta, ri’, contudo, também ‘fica triste e chateado’. Pois sim, é neste equilíbrio que se constrói, que se conjuga, que se avoluma o Amor.
E como é esse Amor? ‘Ama vulneravelmente’ diz a minha poetisa. E, o que é a vulnerabilidade? Um dos conceitos mais bonitos quando falamos de relações. Um dos conceitos mais delicados. Um dos conceitos mais fundamentais quando queremos estar nas nossas relações por inteiro. Aceitar que nas relações caímos, levantamo-nos e, conseguimos “fazer frente”. Aceitar que não somos suficientemente boas mães ou suficientemente bons filhos. Erramos, porém, estamos inteiros na relação aceitando que não é possível prever e controlar tudo. Escutamos, praticamos a bondade e somos gentis.
E, o coração, conhece o abraço. Mesmo nestes tempos em que estamos tão longe do abraço, se escutarmos o nosso coração iremos ouvir tudo o que o silêncio, a força e o aconchego dos anteriores abraços nos transmitiram de coração para coração.
Por fim, a voz, a voz que aconselha e não a voz que dita ordens. A voz que guia com respeito, com admiração, com acreditar, com positividade.
A todos os filhos e mães deste planeta, um FORTE abraço.
Patrícia Charters, Psicóloga e Terapeuta Familiar